domingo, 16 de julho de 2017

Persona

"Persona" de Bergman




Note que aquele sujeito estendido no meio da praça não perdeu o sopro da vida hoje, e sim há tempos atrás quando decidiu largar o amor e se arriscar subindo a falsa montanha do seguro sujo. Sangue escorrendo pelos seus orifícios e uma semana atrás acreditou no seu ofício passado de criação.

Não recorda = criança = sua poça imunda cloaca dura infância fotos cicatrizes presentes ausentes parentes descrentes no jeito desajeitado de levantar os braços arcos traços números na planilha dos chefes sujeitos afetados pelo ouro ilumina a tela encarece seus ares condicionados/condicionados a mandar e pouco presenciar contemplam quadros caros LOW entendidos.

Afetados pelas manias modas virais viroses compram sua saúde beleza quem sabe imortalidade das redes sociais. Vips psicopatas pederastas pulsam na pequena tela do seu computador censurado da empresa imprensa moderna reduzindo sua busca a querer e comprar.

Flertar e comprar.

Gastar.

Sua vida em horas.

Blocccccccccos.

Pseudo-escolhas escoltados pelo sistema.

Existo logo compro.

Não existo logo morro.

Encarado como um saco de trapo velho.

Revolvido pelo vento.

Ativo.

Circundado meu pensar.

Revejo.

O sujeito morto.

Escolhido pelo “acho”

Penso logo existo

Penso lote compro.

Uma caneca ilustrada.

Rotulo-o.

Como produto improdutivo.

Compro logo produzo.

Sou um consumidor.

Turista sugando o sagrado.

E tu homem perdeu sua graça.

Quem sabe não vira uma foto engraçada.

Uma montagem atraente.

Serpente pecado — desisto.

E pinto — o visto — escolhe outro quadro.

Mais caro.

Mais raro.

Deixo meu rastro.

Rastrx existx sujx pensx vomitx desejx despejx

O ato do universo.

Queria versar mais.

Pago mais.

Sopro mais.

O balão vai estourar.

E a coisa encolhe a distância das vistas.

Visitas.

Alugadas pelo ponteiro.

Pontuo esse corpo.

Espremido pela inflação.

E pelo prêmio na televisão;

Thiago Mendes

terça-feira, 23 de maio de 2017

Pessoas

Pixabay


“Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.” 
Fernando Pessoa.


Pessoas extirpando porcos na madrugada dos cinemas de segunda-feira.

Meia-entrada, filas de pipocas.

Pessoas que catam latinhas.
Pessoas que vendem latinhas.
Pessoas que bebem latinhas.
Pessoas que catam latinhas.

Pessoas.

Latrinas de esgotos quase rios.
Rimos dos poucos peixes chorando suas águas sujas.

Colégios que parecem prisões.
Prisões que parecem infernos.
Infernos que são diários.

Pessoas espancando Dandaras.
Pessoas espreitando cansadas.
Pessoas pernas parecidas avenidas.
Sinais e placas.

Parem pessoas!

Pessoas como nós.
Tão sós.

Nesse mundão de pessoas.




Thiago Mendes

sábado, 13 de maio de 2017

Vivo ou Morto


Pixabay




Despertador.

Despertando para uma nova ordem, e eis que damos de cara com muros escondidos nas nossas mentes alienadas. Estamos prontos para cheirar nossas vidas e fazermos papel de palhaço para eles.

Desperdiçando a magia dos abraços e atos amigos, trocando tudo por mercadoria em sessenta vezes pagas com enormes juros acréscimo por ano, perda de um dente incluso no ônus.

Acreditamos nas vozes e no Vox Populis das máquinas coloridas estacionadas em nossos quartos. Um quarto de nossas vidas perdidas entre ligar e desligar.

Entrar e sair.

In out.

Comer e dormir.

Beber e fumar.

Amar e odiar.

Vivo ou morto.

Ressurgindo como heróis maltrapilhos e encardidos de sangue de inocentes ou ideologias contraditórias guardadas nos museus da história vencidos e vencedores.

Heróis e bandidos.

Glória e tristeza.

Honra e vergonha.

Amar e odiar.

Vivo ou morto.

Maniqueísmo e maquinário da repetição das máquinas pulsando sangue sujo açúcar sal pó poeira das ruas abatidas como pombos abatidos para alimentar os pobres famintos.

Por comida.

Por sexo.

Por drogas.

Por vida ou morte.

Cresci e agora posso vestir minha roupa, e sair por aí dando tiro ou mijo ou exijo ou respiro pior por um cigarro melhor, esqueço, estudo, escuto, repito, cresço um pouco mais e um pouco menos de vida, diplomo e procuro emprego nas ruas e sites especializados em nos deixar cansados de tanto tentar e de tanto ouvir:

Não há vagas.

Não há estágio.

Não há vagas.

Vivo ou morto.

Murro os muros e rezo nos bancos por um dinheirinho e um pouquinho só, Deus solta o verbo e desconta meu salário em zeros e esmurro deus mendigo clamando uma esmola e chorando por Jesus no sinal de trânsito brincando com suas cruzes e trapézios.

Vivo ou Morto.

Tumblr

Thiago Mendes


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Crítica: Eis os Delírios do Mundo Conectado (2016)






“A realidade é aquilo que, quando você para de acreditar, não desaparece”.Philip K. Dick




Neste documentário do diretor alemão Werner Herzog , somos colocados diante da questão da internet e como ela afeta nossas vidas. O filme é divido em capítulos que vão destacando o inicio da criação da internet pelos pioneiros da época, e de que forma seu crescimento atingiu a todos os seres humanos. Herzog destaca uma aura sagrada no nascimento da internet e também que mesmo entre os criadores dela existe visões destoantes.

A internet tem facilitado a vida das pessoas de enormes formas e jeitos. Perpassando pela ciência, tecnologia e diminuição das fronteiras entre as pessoas. Ela permeia tudo e todos. No filme, vemos, por exemplo, a importância de um jogo online para a resolução de problemas científicos.

O jogo citado no documentário é Eterna e você pode dar uma conferida nele aqui.

Mas, se por um lado temos os vários benefícios da internet, Herzog também nos mostra o seu dark side e é nessa parte que seu talento e humanismo sobressaem ainda mais.

Uma família que teve a foto de sua filha morta exposta na web — casos como esse são cada dia mais rotineiros — quase um paralelo ao filme Nightcrawler. Viciados em jogos que precisam recomeçar do zero suas vidas, pois já não conseguem mais distinguir o real e o virtual a ponto de esquecerem completamente suas necessidades mais básicas e pessoas que por causa da radiação de celulares são providas de suas vidas e, literalmente, presas em gaiolas. Para saber mais sobre essa condição clique aqui.

Também temos o movimento hacker, onde há uma entrevista divertida com o famoso Kevin Mitnick — não é mero acaso se te lembrar de Mr. Robot — e prosseguindo em segurança nacional e guerras cibernéticas. A internet é segura? Estamos seguros?

Viagens a outros planetas, inteligência artificial e visões apocalípticas compõe uma parte do filme. Werner Herzog, um diretor tanto de documentários como de filmes de ficção mapeia todos os possíveis significados e significantes dessa coisa da qual parece que não podemos nos livrar e coloca uma pergunta no ar interessante: será que a internet sonha consigo mesma?


Werner Herzog




Herzog destila humor, belas cenas, humanismo e sua qualidade em aproximar um mundo aparentemente distantes. Pontuando as questões e mostrando a beleza do ser humano nesse emaranhando de conexões que é nossa vida atual — ou seria virtual?

Thiago Mendes

sábado, 18 de março de 2017

Alguns filmes psicodélicos



“Em estado alucinógeno temos a impressão indubitável de que a linguagem possui uma dimensão objetificada e visível, que geralmente está oculta de nossa consciência. Sob tais condições, a linguagem é vista apresentada — exatamente como veríamos comumente nossas casas e nosso ambiente comum. De fato, durante a experiência do estado alterado nosso ambiente cultural normal é corretamente reconhecido como o som de contrabaixo no contínuo ofício linguístico de objetificar a imaginação. Em outras palavras, ambiente cultural coletivamente projetado, onde todos vivemos, é a objetificação de nossa intenção linguística coletiva.”

Terence Mckenna.


Alexgray.com




Naked Lunch






Dirigido por David Cronenberg o filme é uma adaptação do livro homônimo de William S. Burroughs. Insetos, drogas, Interzone, Beats e todo o universo cronenberguiano.


John Morre no Final





Filme independente cheio de humor e bizarrices. Novas drogas, invasões e diversão garantida. Acredito que este filme ainda esteja na Netflix.


Performance






Filme de 1970 com Mick Jagger em sua primeira aparição nos cinemas. Identidades, cultura hippie e uma das melhores cenas finais de um filme. Simplesmente lisérgico.

( π) Pi





Antes de Réquiem para um sonho, Darren Aronofsky havia debutado com esse simbólico filme. Conspirações, enigmas matemáticos e loucura.

Manual de Evasão LX94







Terence McKenna, Robert Anton Wilson e Rudy Rucker juntos (whats!!!) neste filme experimental português dirigido por Edgar Pêra. No Youtube você o encontra.




Thiago Mendes

quarta-feira, 8 de março de 2017

Aioeu






Meu primeiro amigo 
foi eu mesmo.
Escondido escuro e tranquilo. 
Subterrâneo dos meus pensamentos.
Emergindo; 
Emergências;
Solitárias
dos anos passados.
Ainda hoje, 
se comunicando por sinais e símbolos.
Cômodos vazios.

Incômodos vizinhos.
Meu amigo.

Eu amigo.



Thiago Mendes